
Sou a escrita que diminui a febre de sentir
Sou uma paz de angustia
Sou a glória nocturna de ser grande não sendo nada
Sou a libertação do contraste
Sou o silêncio no vento
Sou as pedras no chão que rebolam sem tempo
Sou a escrita sem nexo no branco
Sou a força do coração que arde vermelho
Sou a alma envelhecida com olhos cansados
Sou o sonho inútil e a esperança sem vestígios
Sou a perversidade do devaneio
Sou o acreditar na natureza e o desconfiar da humanidade
Sou um mendigar de sonhos audazes
Sou a arte e a musica que alivia da vida sem aliviar de viver
Sou a espera de quando for grande
Sou a saudade das barrigas grandes e do toque das mãos pequeninas
Sou o amar alguém para ser alguém
Sou a solidão com crostas
Sou o "absurdo" de F.Pessoa