29 de setembro de 2009

22 de setembro de 2009

box of memories


Corremos no chão da vida e mudamos o seu curso,sem muitas vezes possuir a consciência desse mesmo acto.
Aprendemos com essa mudança de latitude?Não,repetimos os padrões dessa angustia,dessa forma inquieta.
Quantas vezes procuro os cheiros já vividos nos albuns espalhados pelo chão,e encontro o meu ser envolto num novelo molhado pela água que sai salgada.
A não paz de tudo doi e pesa.Um tédio informe afoga-me.
Enfio o meu nariz no teu cabelo negro e o teu cheiro de pequena pessoa aquece os meus olhos.

"A beleza do corpo nu só a sentem as raças vestidas.A artificialidade é a maneira de gozar a naturalidade.O que gozei destes campos vastos,gozei-o porque aqui não vivo.Não sente a liberdade quem nunca viveu constrangido:O artificial é o caminho para uma apreciação do natural"Pessoa

18 de setembro de 2009

moral

"O que nas pessoas estranhas, desviadas por passo próprio ou enxotadas pelos outros, o fascinava era a absoluta liberdade individual com que faziam as suas escolhas. Num louco ou num pedinte que vagueava pelas ruas a pedir pão e sopa e que, de noite, tal qual os outros humanos, só queria dormir, Buchmann via quem poderia escolher em liberdade pura, e sem consequências, a sua moral individual. Moral que nem sequer tem um par, um elemento que a acompanhe. Quem iria contestar a «vida imoral» de um pedinte ou de um louco? Aqueles homens tinham já em si, pela sua diferença, uma carga de imoralidade universal e profunda, que os tornava imunes às pequenas imoralidades praticadas. Um louco, tal como um pedinte, não era imoral. Eram indivíduos sem cópia, semelhantes a um rei; alguém que não tem par, que não tem aquele que está ao seu lado. E por isso não há para esses homens escorraçados, como não há para o homem mais poderoso, qualquer critério de comparação. Buchmann olhava com admiração para aqueles homens que traziam no bolso um sistema jurídico único, com o seu nome no fim. De certa maneira, era isso que Buchmann desejava; ser portador de um sistema legal cujas leis só fossem aplicadas a si; ser portador de uma moral que não é a do mundo civilizado nem a do mundo primitivo; que não é a moral da cidade ou sequer a moral da sua família mas a moral que tem o seu nome, apenas o seu, escrito por cima. "

Gonçalo M. Tavares

17 de setembro de 2009

escuto


Escuto mas não sei
Se o que oiço é silencio
ou deus



Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planicies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita



Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
É por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco

5 de setembro de 2009

4 de setembro de 2009